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Quem convidou Jesus para esta comemoração?

  • bezerramilleni
  • 31 de mar. de 2024
  • 3 min de leitura

Atualizado: 12 de abr. de 2025

O que os nomes Reza Aslan e José Saramago têm em comum? Ambos nos apresentam um novo olhar sobre a figura de Jesus: ora Cristo crucificado ora cidadão de Nazaré. Aproveitando o período da Páscoa para retomar indicações de obras, por meio de resenhas, eis que vos convido à reflexão a partir de “Zelota” (2013) e de “O evangelho segundo Jesus Cristo” (1991). A primeira obra é escrita pelo iraniano-americano Reza Aslan – estudioso de sociologia da religião. Aslan cresceu sob a cultura islâmica e, posteriormente, estabeleceu maior proximidade com o cristianismo evangélico. Já a segunda, é escrita pelo consagrado autor português e Nobel de Literatura, José Saramago.


Embora se possa dividi-las em "ficção" e "documentação da realidade", não é bem isso que importa no atual momento. Enquanto Aslan insere o leitor numa narrativa que cruza fatos pessoais de sua vida e relação com Jesus, trazendo novos contornos históricos, Saramago elabora novos rumos em relação à trajetória bíblica de Jesus, a partir de uma livre interpretação dos Evangelhos. Essas obras parecem responder a mesma questão: “Afinal, quem foi Jesus?”. Em Cristo, vemos uma forte figura precursora do sacrifício, do Calvário que servirá como símbolo que inspira nos ocidentais o suporte à dificultosa “caminhada da vida”; em nazareno, temos a figura do ativista político radical, que lutou contra os desmandos do Império Romano. Um mestre que “veio para que tivéssemos vida, em abundância”, mas que “não veio para trazer paz ao mundo, mas sim a espada”.

 

Saramago ressignifica dogmas ao humanizar a figura central do Cristianismo, que incorre nas falhas terrenas, igualando Jesus a um de nós. Cristo está na terra e também padece de nossas chagas, as mesmas “tentações” que os seres humanos, e não às vence, assim como aqueles que o seguem: está suscetível ao medo, ao erro, às paixões. Zelota literalmente significa “alguém que é zeloso” – nome atribuído às figuras que lutaram pelos interesses religiosos, nacionais ou internacionais, tendo Deus como soberano. Aslan delineia uma trajetória política: em sua cronologia há revoltas – como a de Macabeus, de Teudas, de Jacó e de Simão, egípcios e judeus; assim como há surgimentos – o ministério de Jesus, a ascensão de Pôncio Pilatos, a criação dos Evangelhos, o Edito de Milão (pelo imperador Constantino) e os Concílios de Niceia e Hippo Regius –  de acordo com o contexto sócio-histórico-cultural da época.

 

Não é preciso ser um gênio para adivinhar que a obra de Saramago sofreu forte censura à época e ao território, especialmente pela Igreja Católica. Particularmente falando, essa obra teve um grande impacto sobre minha aprendizagem literária, ao ponto de atingir a dificuldade de apreciação (um incômodo nauseante), em razão das fortes crenças que eu nutria quando a conheci – ainda no período da graduação. Já Zelota, conheci pela indicação do filósofo brasileiro, Mário Sérgio Cortella, quando assisti a uma mesa redonda do Jornal da Band, nos idos de 2014 – sobre o mesmo tema que gera este post. Sem sombra de dúvida, trata-se de materiais extremamente ricos e importantes para se pensar a passagem da data que simboliza a Páscoa, assim como também é recomendável que se faça no Natal.






REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ASLAN, Reza. Zelota: a vida ea época de Jesus de Nazaré. Tradução de Marlene Suano. 1. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.


SARAMAGO, José. O evangelho segundo Jesus Cristo. Rio de Janeiro-São Paulo: Editora Record, 1991.


Imagens:

  • Die Presse (2024), do artista Gottfried Helwein (Jesus ressuscitado quando criança, com pinturas de feridas, em alusão às crianças mortas no confronto entre Israel e Palestina);

  • Fotos das edições de livros analisadas. 

 
 
 

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